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quarta-feira, junho 15, 2016

Adeus, meu amor, adeus


Hear the wind sing a sad, old song
it knows I'm leaving you today
please dont cry or my heart will break
when I go on my way



goodbye my love goodbye
goodbye and au revoir
as long as you remember me
I'll never be too far



goodbye my love goodbye
I always be true
so hold me in your dreams
till I come back to you



see the stars in the sky above
they'll shine wherever I may roam
I'll pray every lonely night
That soon they'll guide me home



Goodbye, my love goodbye, Demis Roussos (Artemios Ventouris Roussos), cantor, 70º aniversário de seu nascimento

quinta-feira, abril 28, 2016

quinta-feira, dezembro 31, 2015

O Tempo Passa? Não Passa

O tempo passa? Não passa 
no abismo do coração. 
Lá dentro, perdura a graça 
do amor, florindo em canção. 

O tempo nos aproxima 
cada vez mais, nos reduz 
a um só verso e uma rima 
de mãos e olhos, na luz. 

Não há tempo consumido 
nem tempo a economizar. 
O tempo é todo vestido 
de amor e tempo de amar. 

O meu tempo e o teu, amada, 
transcendem qualquer medida. 
Além do amor, não há nada, 
amar é o sumo da vida. 

São mitos de calendário 
tanto o ontem como o agora, 
e o teu aniversário 
é um nascer toda a hora. 

E nosso amor, que brotou 
do tempo, não tem idade, 
pois só quem ama 
escutou o apelo da eternidade. 
O Tempo Passa? Não Passa, Carlos Drummond de Andrade, poeta


quarta-feira, dezembro 30, 2015

O Amor

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.

A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável

A marcar sobre os teus flancos
o itinerário da espuma

Assim é o amor: mortal e navegável.
O Amor, Eugénio de Andrade (José Fontinhas), poeta

segunda-feira, abril 20, 2015

domingo, janeiro 18, 2015

Serei feliz, bem feliz

Meu coração, não sei porquê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim foges de mim

Ah, se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz


Carinhoso, Marisa Monte e Paulinho da Viola, composição de Pixinguinha, músicos

terça-feira, janeiro 06, 2015

She comes in colours

She comes in colors everywhere; 
She combs her hair
She's like a rainbow
Coming colors in the air
Oh, everywhere
She comes in colors

She comes in colors everywhere;
She combs her hair
She's like a rainbow
Coming colors in the air
Oh, everywhere
She comes in colors

Have you seen her dressed in blue?
See the sky in front of you
And her face is like a sail
Speck of white so fair and pale
Have you seen the lady fairer?

She comes in colors everywhere;
She combs her hair
She's like a rainbow
Coming colors in the air
Oh, everywhere
She comes in colors

Have you seen her all in gold?
Like a queen in days of old
She shoots colors all around
Like a sunset going down
Have you seen the lady fairer?

She comes in colors everywhere;
She combs her hair
She's like a rainbow
Coming colors in the air
Oh, everywhere
She comes in colors

She's like a rainbow
Coming colors in the air
Oh, everywhere
She comes in colors

She's a Rainbow, The Rolling Stones, Músicos

terça-feira, dezembro 30, 2014

I promise that I'll run away with you

"Show me how you do that trick
The one that makes me scream" she said
"The one that makes me laugh" she said
And threw her arms around my neck
"Show me how you do it
And I promise you I promise that
I'll run away with you
I'll run away with you"

Spinning on that dizzy edge
I kissed her face and kissed her head
And dreamed of all the different ways I had
To make her glow
"Why are you so far away?" she said
"Why won't you ever know that I'm in love with you
That I'm in love with you"

You
Soft and only
You
Lost and lonely
You
Strange as angels
Dancing in the deepest oceans
Twisting in the water
You're just like a dream

Daylight licked me into shape
I must have been asleep for days
And moving lips to breathe her name
I opened up my eyes
And found myself alone alone
Alone above a raging sea
That stole the only girl I loved
And drowned her deep inside of me

You
Soft and only
You
Lost and lonely
You
Just like heaven

Just Like Heaven, The Cure, músicos

quinta-feira, novembro 20, 2014

Os teus olhos não são nada como o Sol


My mistress’ eyes are nothing like the sun;
Coral is far more red than her lips’ red;
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.
I have seen roses damasked, red and white,
But no such roses see I in her cheeks;
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.
I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound;
I grant I never saw a goddess go;
My mistress when she walks treads on the ground.
     And yet, by heaven, I think my love as rare
     As any she belied with false compare.
My mistress’ eyes are nothing like the sun (Sonnet 130), William Shakespeare, poeta e dramaturgo

sexta-feira, outubro 24, 2014

Ceder

Aos sonhos, como aos pesadelos, chega sempre a hora de acordar. É essencial compreender a realidade, viver de olhos abertos, acolher a simplicidade da vida antes de querer resolver a complexidade do mundo. 

Cada um de nós tem o seu lugar no mundo, talvez a ninguém caiba o do centro. Nas nossas relações com o mundo, com os outros e connosco, é mais sábio aceitar do que impor, admirar do que exibir, amar do que procurar ser amado... 

Viver é aprender a ceder. A libertarmo-nos de nós mesmos. Só o nosso espírito nos pode soltar porque só ele nos aprisiona. Ser autenticamente feliz depende de uma transformação na forma de olharmos o mundo, aceitando-o sem grandes condições e agindo sem precipitações. Cedendo. Cedendo, sempre. Pois que é melhor manter um amigo do que ficar com a razão, mas sozinho. Há que abrir espaços em nós para que a serenidade que assim se alcança convide a felicidade a fazer do nosso espírito morada sua. 

A humildade e a simplicidade são formas de ser, não de parecer. 

Um erro comum é querer ser tudo já. Nunca nada chega... e são tantas vezes as saudades a revelarem-nos o verdadeiro valor dos instantes vividos mas já passados. As pressas atropelam o tempo. 

Importa não cair na tentação de querer ser senhor do próprio futuro... e aprender a confiar mais. Cedendo espaço à esperança.

Afinal, quantas vezes uma tragédia, decepção, desilusão ou uma simples despedida, ao invés de serem tristes fins revelam-se, depois, como os pontos de partida das nossas maiores aventuras? 


Aprender a Ceder, José Luís Nunes Martins, filósofo

quinta-feira, outubro 03, 2013

Catorce versos en el cumpleaños

(Poemilla ínfimo y azorado, tenue, orgulloso y levemente soberbio, que
debe leerse en cueros y con mucha parsimonia)


Cuando mi corazón empezó a nadar en el caudaloso río de la alegría de las más
limpias herraduras de agua
Y descubrí que en el alma de la mujer subyacen cinco estaciones de grácil
silueta
Oí silbar al ruiseñor del camposanto de la aldea y ahuyenté de mi piel los malos
pensamientos
Aparté de mí los torvos presagios de la debilidad la enfermedad el hambre la
guerra la miseria y los vacíos de la conciencia.
Empecé a oler tímidamente el gimnástico aire de la belleza que duerme contigo
Y volé tan alto que perdí de vista el aire de los invernaderos el agua quieta de las
acequias y el fuego purificador también la arcillosa y pedregosa tierra que
piso y en la que seré olvidado por tu mano
Te amo lleno de esperanza
Tu vida es aún muy breve para acariciar la esperanza
Y hoy cumples años quizá excesivos
Hoy cumples mil años
Quisiera bailar en un local cerrado con la muerte coronada de esmeraldas y
rubíes yo coronado de musgo y alfileres
Para proclamar en el reino de las más solitarias ballenas
Mi dulce sueño con estas sobrecogidas palabras
Pregono en voz alta el espanto que me produce la felicidad.


Catorce versos en el cumpleaños de una mujer, Camilo José Cela, poeta

terça-feira, setembro 24, 2013

É por Ti que Escrevo

É por ti que escrevo que não és musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
É porque amo a cálida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de água iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a túmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um oásis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso

É por Ti que Escrevo, António Victo Ramos Rosa, poeta

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Querendo-te vou tentando encontrar-te


Você não me ensinou a te esquecer, Caetano Veloso (Caetano Emanuel Viana Teles Veloso), músico, cantor

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Están llegando los frios.


Veinte años de estar juntos
esta tarde se han cumplido.
Para ti... flores... perfumes,
para mi... algunos libros.

No te he dicho grandes cosas
porque... porque no me habrían salido,
ya sabes... cosas de viejos...
requemor de no haber sido.

Hace tiempo que intentamos
abonar nuestro destino.
Tu... tu bajabas la persiana
Yo... yo apuraba mi ultimo vino.

Hoy, en esta noche fría,
casi... como ignorando el sabor
del la soledad compartida,
quise hacerte una canción
para cantar... despacito,
como se duerme a los niños.
Y... y ya ves, solo... palabras
sobre notas me han salido
que al igual que tu y que yo
ni se importan ... ni se estorban
se soportan amistosas,
mas... mas no son... no son una canción.

Que helada que está esta casa...
Será... será que esta cerca el rio...
o... o es que entramos en invierno
y están llegando... están llegando
los frios.
Patxi Andión (Francisco Andión González), cantautor

quarta-feira, novembro 28, 2012

Al alba

Si te dijera, amor mío,
que temo a la madrugada,
no sé qué estrellas son éstas
que hieren como amenazas
ni sé qué sangra la luna
al filo de su guadaña.

Presiento que tras la noche
vendrá la noche más larga,
quiero que no me abandones,
amor mío, al alba,
al alba, al alba.

Los hijos que no tuvimos
se esconden en las cloacas,
comen las últimas flores,
parece que adivinaran
que el día que se avecina
viene con hambre atrasada.

Presiento que tras la noche
vendrá la noche más larga,
quiero que no me abandones,
amor mío, al alba,
al alba, al alba.

Miles de buitres callados
van extendiendo sus alas,
no te destroza, amor mío,
esta silenciosa danza,
maldito baile de muertos,
pólvora de la mañana.

Presiento que tras la noche
vendrá la noche más larga,
quiero que no me abandones,
amor mío, al alba,
al alba, al alba.


Al alba, Luis Eduardo Aute Gutiérrez, cantautor

segunda-feira, novembro 19, 2012

quarta-feira, outubro 03, 2012

Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.



Soneto de aniversário, Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes, poeta, músico

quinta-feira, setembro 13, 2012

quarta-feira, setembro 12, 2012

Perfídia

- Vens comigo?
   Violeta nega com a cabeça e regressa devagar ao catre, hirta sobre as nádegas desafiantes e agitando a cabeleira avermelhada com a mão. Com ar aborrecido explica que o seu trabalho é na cozinha, ocupada a misturar ervas, esmagá-las no almofariz e cozê-las a fogo lento. Prepara malaguetas para a tintura, descasca batatas e batata-doce, tritura sementes, passa lentilhas por água.
- Também faço doces. Gostas de doce de amora?
- Não. Acompanha-me, por favor.
   A rapariga olha-o com um vago sorriso e cala-se. Sentou-se outra vez na esquina do catre onde esconde a toalha e continua a escovar a cabeleira com energia, deixando a descoberto a penugem da axila. Parece uma flor negra, ou um ouriço ali acobertado. E não é bonita, constata mais uma vez, não o é. Então por que razão o mais trivial dos seus gestos se torna atraente? O que há debaixo da mansidão das pálpebras, porque são tão embaraçosos os seus silêncios e o seu olhar?
   Alheia agora a tudo o que não tenha que ver com o cuidado dos seus cabelos, Violeta baixa os olhos e começa a cantarolar: El mar, espejo de mi corazón..., enquanto ele revive a vaia da vizinhança na noite da festa maior e a vê correr fugindo da nuvem de papelinhos que revoluteia em torno da sua cabeça.

Caligrafia dos Sonhos, Juan Marsé (Juan Faneca Roca), escritor